Não se trata de uma pergunta retórica. Tampouco tem a intenção de minimizar a importância do Cariocão. Mas se o Flamengo almeja alçar vôos mais altos e atingir a relevância nacional e internacional que merece, refletir sobre esta questão é fundamental.

É fato que o investimento feito no time rubro-negro nos últimos anos tornou o Flamengo praticamente imbatível no estado do Rio de Janeiro, como tem demonstrado os resultados da Taça Guanabara. Apenas um desastre impedirá que o título carioca de 2018 vá para a Gávea.

Então, por que se importar com o Carioca? Que tal colocar um time B ou proporcionar um treino de luxo para a equipe sub-20?

Felizmente, o experiente técnico Paulo César Carpegiani parece perceber as oportunidades que a disputa regional lhe dá. Pelo menos, é o que deixa transparecer nas escalações e entrevistas coletivas recentes.

Sem rivais locais à altura e com uma base recheada de promessas, Carpegiani tem utilizado o Carioca para três objetivos principais: testar jogadores “secundários”, amadurecer a base e preparar o time para a Taça Libertadores e para o Campeonato Brasileiro.

No primeiro objetivo, Carpegiani tem dado oportunidades para jogadores que tiveram aproveitamento criticável ao longo de 2017 e que poderiam integrar uma segunda “lista de dispensa”, ainda no primeiro semestre de 2018. São os casos de  Pará, Rodinei, Trauco, Renê, Rômulo e Geovânio. Estes jogadores dependem de boas atuações durante o Carioca para que possam convencer a comissão técnica de que podem ser úteis nas campanhas de 2018, evitando seu envolvimento em transações. Se terão ou não sucesso, o tempo dirá.

Estimular o amadurecimento da base é quase uma exigência do cargo de técnico no Flamengo. Afinal, o lema “craque o Flamengo faz em casa” é levado muito a sério na Gávea. E com o enorme sucesso dos garotos na edição 2018 da Copa São Paulo, tornou-se fundamental dar chances suficientes para que candidatos a craque como Lincoln, Lucas Silva, Theo, Pepê e vários outros, para que possam se acostumar com a pressão típica da transição para o time profissional. E no contexto de restrição orçamentária pelo qual o clube passa em 2018, o aproveitamento da prata da casa passa a ser recurso estratégico mais do que necessário. Isso sem falar na possibilidade de se conseguir viabilizar uma grande negociação com clubes europeus, como no caso de Vinícius Júnior.

Por fim, com a aquisição recente de jogadores de qualidade, falta montar um time que possa reassumir o protagonismo do Flamengo no cenário do futebol nacional e expandir sua importância em competições internacionais, se possível com títulos. E mais do que isso, é preciso criar uma equipe que faça ressurgir a mística rubro-negra, o estilo envolvente de domínio dos espaços e de posse de bola que a torcida do Mais Querido conhece e espera rever nos gramados. Jogadores com a cabeça a prêmio, jovens promissores e ótimos jogadores comprados compõem terreno fértil para Carpegiani desenvolver e aperfeiçoar, ao longo do Carioca, o esquadrão de qualidade que a Nação merece.

E falando nela, e para finalizar, o Carioca ainda servirá, mais uma vez, para zoar vascaínos, botafoguenses e tricolores…

One Comments

  • Ricardo Devillaqua 13 / 02 / 2018 Reply

    Serve para não deixar os rivais ganharem. Só isso!

Deixe uma resposta