Foram graves as consequências da derrota para o Botafogo na última quarta-feira (28/03), quando o Flamengo foi eliminado das finais do Campeonato Carioca 2018. No final desta semana, seis profissionais do clube foram demitidos, incluindo o técnico Paulo César Carpegiani e o diretor de futebol, Rodrigo Caetano.

O técnico Carpegiani foi demitido após apenas três meses de trabalho no Fla. O curioso é que o treinador acabou demitido de um cargo que não deveria ter sido seu, já que havia sido contratado para ser um coordenador técnico e acabou efetivado na ausência de opções viáveis, naquele momento, para a posição de treinador.

Foram muitos os equívocos deste a sua contratação, a começar pela promessa não cumprida de dar chances iguais aos meninos da base. Apenas Vinícius Júnior e Lucas Paquetá receberam apoio, enquanto Ronaldo, Klebinho, Lucas Silva e Pepê, que certamente já tinham condições de disputar posição em grau de igualdade com os “titulares”, foram preteridos sem explicações por Carpegiani.

Outra crítica que merece destaque é a inconsistência do esquema de jogo de Carpegiani. Sua iniciativa de substituir o tradicional 4 – 3 – 3 foi fartamente elogiada pela crítica esportiva e pela maioria dos torcedores, já que nossos “pontas” permaneciam isoladas nas laterais e nosso meio-campo não conseguia ter criatividade suficiente para municiar o ataque. No entanto, Carpegiani não conseguiu se definir entre o esquema 4 – 1 – 4 – 1 e o 4 – 3 – 2 – 1. Além disso, Cuéllar e Lucas Paquetá, peças fundamentais nestes dois esquemas, não conseguiram ter suas funções definidas, o que impossibilitou o crescimento da equipe. Exemplo maior desta baderna tática foi a semifinal contra o Botafogo, na qual Cuéllar foi para o banco (pra dar lugar a Willian Arão) e Paquetá jogou isolado na esquerda, por boa parte do jogo. O resultado disto, todos já conhecem.

Quem assumir o comando da comissão técnica terá a inglória missão de retomar a confiança de um time sob pressão crescente e enorme desconfiança da torcida. Tudo isso, com a obrigação de brigar por títulos na Libertadores e Campeonato Brasileiro. No momento, Cuca é o favorito para o posto, mas surpresas não são raridades no Flamengo atual.

Já a substituição de Rodrigo Caetano (há três anos no Fla) por Carlos Noval ainda é uma incógnita. Muito criticado pela morosidade nas contratações e pela falta de pulso junto aos jogadores, Caetano já vislumbrava sua saída há algum tempo. Carlos Noval chega com boa expectativa, em virtude de sua atuação nas categorias de base do Mais Querido. Mas o universo dos juniores não tem nada a ver com o do time profissional. De qualquer forma, parece constituir uma boa aposta de Bandeira de Melo.

Grandes derrotas costumam significar oportunidades para grandes mudanças. As mudanças aconteceram, mas ainda não se sabe se causarão melhora substancial no departamento de futebol. A torcida quer títulos, sobre isso não há dúvidas. Se os novos ares no Mengão os trarão, só o tempo dirá…

Foto: www.flamengo.com.br

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